sexta-feira, 15 de junho de 2007

TROCA-TROCA NO MAGISTÉRIO

Por Victor Bugalho

Dez anos após ser considerada a melhor escola pública do Subúrbio de Salvador, o CECA - Colégio Estadual Clériston Andrade, localizado em Itacaranha, enfrenta sérias dificuldades. Alunos e comunidade denunciam que professores atuam em disciplinas diferentes daquela de sua real formação, condenam a ausência do ensino de redação no 3º ano do ensino médio, além de criticarem o insuficiente número de funcionários na escola.

“Felizmente, a nova direção já concorda que se deve ter maior cuidado com a qualidade das aulas: é inadmissível que um professor formado em determinada área esteja ensinando outra disciplina”, sentencia Moisés Azevedo Santos, presidente do Grêmio do Clériston. Nesta e em outras escolas da rede pública, o profissional que, por exemplo, possua regime de trabalho de 40h semanais com formação em uma área pode ser direcionado para trabalhar outra matéria, caso não haja demanda de turmas para sua disciplina e tenha vaga em outra. Assim, um professor formado em geografia pode vim a ministrar biologia, compulsoriamente.

A distorção ocorre devido à dificuldade da Secretaria de Educação do Estado e das escolas em lidar com a grade de horários das aulas, juntamente com a carência por professores de física, química e matemática. De acordo com Claudemir Nonato, vice-diretor da APLB - Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, a falta de profissionais deve-se aos baixos salários pagos pelo Governo, o que leva o formando nessas áreas a procurar opções de trabalho mais rentáveis.

Claudemir, que também é professor do CECA, vive e conhece bem o problema. Embora seja licenciado em biologia, lá ele ensina física para uma turma de Educação para Jovens e Adultos (EJA), no período noturno. “Na faculdade, estudei apenas uma matéria de física. É claro que o nível da aula fica comprometido, gerando um clima de insatisfação, desconforto e desmotivação para aluno e professor”, resume. Ele alerta ainda que isso ocorre em outros colégios públicos da capital e, principalmente, do interior.

Além de danoso, o remanejamento de professores é ilegal. A Lei nº 9.394 / 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) proíbe esse tipo de ação e a APLB já analisa acionar o Ministério Público para tentar reverter o quadro. De acordo com José Lourenço Souza, diretor jurídico do Sindicato, a responsabilidade maior estaria na gestão de cada escola. “Às vezes, o professor pode utilizar a carga horária excedente em outro colégio. No entanto, ele recusa, seja por causa de vínculos, pelo aumento da periculosidade ou porque não deseja perder alguma gratificação”, afirma.

Do outro lado da história, o diretor do Clériston Andrade, Remir Bonfim, define o problema como algo grave e de difícil solução. Para ele, as causas estariam na dificuldade em conciliar a grade de aulas com a carga horária dos professores, fato agravado pelo número insuficiente de salas na maioria das escolas públicas. Remir esclarece que o professor não seria obrigado a trabalhar outra disciplina, sendo essa decisão fruto de um acordo. “E quando necessário, tenta-se fazer a permuta entre matérias afins”, assegura.

Fora a questão envolvendo os docentes, os alunos pedem o retorno das aulas de redação para o 3º ano, substituídas por educação artística; criticam o número reduzido de funcionários; e almejam maior liberdade ao utilizar a Rádio Escola. Em sua defesa, a direção informou que reavaliará o retorno do ensino da disciplina, disse já ter solicitado mais funcionários à Secretaria e que a rádio possui equipamentos caros e de responsabilidade da instituição, por isso há controle no manuseio. Contatada durante cinco dias, a Secretaria de Educação do Estado não se pronunciou.

O Clériston Andrade foi inaugurado no governo do professor Roberto Santos, em dezoito de fevereiro de mil novecentos e setenta e cinco. Sua última reforma ocorreu em 1997. Hoje, o colégio apresenta bom estado de conservação, conta com 19 salas de aulas, duas quadras esportivas, laboratório químico, laboratório de informática e sala de jogos. Atende 2119 alunos, oferece ensino fundamental, médio e possui turmas de Educação para Jovens e Adultos.

Um comentário:

iel.barbosa disse...

...boa velhinho gostei da matéria.